domingo, 11 de outubro de 2015

Resenha: Feita de Fumaça e Osso — Laini Taylor

Pelos quatro cantos da Terra, marcas de mãos negras aparecem nas portas das casas, gravadas a fogo por seres alados que surgem de uma fenda no céu. Em uma loja sombria e empoeirada, o estoque de dentes de um demônio está perigosamente baixo. E, nas tumultuadas ruas de Praga, uma jovem estudante de arte está prestes a se envolver em uma guerra de outro mundo. O nome dela é Karou. Seus cadernos de desenho são repletos de monstros que podem ou não ser reais; ela desaparece e ressurge do nada, despachada em enigmáticas missões; fala diversas línguas, nem todas humanas, e seu cabelo azul nasce exatamente dessa cor. Quem ela é de verdade? A pergunta a persegue, e o caminho até a resposta começa no olhar abrasador de um completo estranho. Um romance moderno e arrebatador, em que batalhas épicas e um amor proibido unem-se na esperança de um mundo refeito.                               Avaliação: ★★★★★

      Li o livro uns três anos atrás, quando era o único da trilogia lançado até o momento e me lembro de ficar em depressão profunda quando terminei, porque não tinha continuação ainda, e alguns meses atrás a trilogia tava de promoção no submarino então comprei e resolvi reler o primeiro livro antes de dar continuação aos outros, já que fazia tanto tempo que tinha lido.

      Tentei pensar aqui em outras palavras pra descrever esse livro, mas incrível é a única que vem à minha cabeça. Aliás, duas palavras: incrível e surpreendente! Sabe aquele livro o qual você não consegue achar nenhuma coisa em que mudaria? Feita de Fumaça e Osso é desses... É uma trama bem construída com personagens bem construídos e um mundo bem construído... Cada capítulo te prende mais à história e quanto mais você lê, mas você percebe que o livro não tem nada de previsível.

      A história é ambientada, grande parte do livro, em Praga, na República Tcheca, e as descrições da cidade te deixam com vontade de estar realmente lá; Mas a história não fica presa somente aí: Laini Taylor ambientou um mundo em que anjos e demônios batalham por terras e pela sobrevivência de cada espécie, e vivem em uma constante guerra, que sempre esteve presente e que parece que nunca terá fim. Eu particularmente sou fã de histórias com esse plot anjosxdemônios, principalmente as que mostram que nem sempre o bem é bom e o mal é mau.

      Entre os personagens temos Karou, nossa protagonista, de cabelo lápis-lazúli que já nasce dessa cor e que foi conseguido através de um desejo que ela ganha completando tarefas. Diferente de várias protagonistas, Karou não é cheia de mimimis, é determinada, forte e não desiste dos seus objetivos. Ela é uma estudante de artes, e carrega consigo sempre seus cadernos, que são repletos de monstros que na verdade são sua família. Convive com o segredo de ter sido criada por quimeras e fazer parte de um mundo que a maioria das pessoas nem sabe que existe, e têm que equilibrar sua vida pessoal, com seus trabalhos da escola e ainda seu tarefa de  recolher dentes nos quatro cantos do mundo, para a loja de Brimstone, o Mercador de Desejos.

"Vez ou outra, mordia amargurada a parte de dentro da bochecha, e uma pontada de tristeza a invadia de repente, como as pontadas de tristeza costumam fazer, mas Karou as deixava de lado, determinada e disposta a acabar com tudo aquilo." Página 9

      Brimstone é outro personagem que merece destaque nessa história. Á primeira vista ele parece um velho chato e rabugento, que só chama Karou para passar tarefas para ela, mas conforme a história vai se aprofundando, você percebe quão incrível, forte e bondoso ele é, e o quanto Karou significa para ele. Para mim é de longe o melhor personagem do livro.

"Brimstone levantou a cabeça, soltou o osso da sorte e disse simplesmente:
— Você veio.
Parecia surpreso e aliviado, pensou Karou, sentindo-se culpada.
Esforçando-se para parecer descontraída ela disse:
— Bem, por favor é a palavrinha mágica, sabe?
— Pensei que pudéssemos ter perdido você." Página 75

"— Nunca se arrependa da sua própria bondade, criança. Permanecer leal diante do mal é um feito de força." Página 369

"O amor vai chegar, e você saberá reconhecê-lo." Página 270

      Temos outros personagens na história que merecem destaque como Zuzanna e Akiva, mas eu não conseguiria falar deles sem soltar algum spoiler e então resolvi deixar para a próxima resenha. Esse livro é extremamente complicado de se escrever uma resenha, porque é difícil passar o quão incrível ele é sem entregar pontos importantes da narrativa, então não sei mais o que dizer a não ser recomendar de novo e de novo que quem ainda não leu, leia! Termino a resenha por aqui e deixo vocês com mais alguns quotes do livro... Beijinhos!

      Quotes do livro:

"— Pular a parte de conhecê-lo? As borboletas no estômago, o coração acelerado, o rosto vermelho? A parte em que um entra no campo magnético do outro pela primeira vez e é como se linhas invisíveis de energia puxassem vocês um para o outro?." Página 70

"— As borboletas no estômago. — Karou suspirou. — Eu sei. Sabe o que eu acho? Acho que as borboletas estão sempre no seu estômago, em todo mundo, o tempo todo [...] e as borboletas de algumas pessoas reagem às de outras por algum motivo químico, tipo feromônio, de forma que, quando estão próximas, suas borboletas começam a dançar. Elas não podem evitar... é químico." Página 71

"Deve-se morrer com orgulho quando não é mais possível viver com orgulho." Página 87*

"Aquele que luta com monstros deve tomar cuidado para não se tornar um monstro também, e quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você." Página 117*

"E o pior é que é quase impossível resgatar uma alma que foi arrancada. Quase. Mas pode ser feito, se alguma vez... se alguma vez decidir ir à procura da sua..." Página 117

"A esperança pode ser uma força poderosa. [...] quando você sabe o que mais deseja e mantém isso aceso como uma chama dentro de si, pode fazer as coisas acontecerem, quase como mágica." Página 266

"Ele se perdera nela. O brilho dos olhos dela acendia alguma coisa dentro dele que o fazia perceber que havia passado a vida em meio a uma névoa, que vivia pela metade, na melhor das hipóteses, que sentia pela metade." Página 266

*Frases citadas como de autoria de Nietzsche.
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